CAPA

IMERSÃO NA LÍNGUA  E NA CULTURA


A EDUCAÇÃO BILÍNGUE PODE APRONFUNDAR A VISÃO DE MUNDO DURANTE A FORMAÇÃO


Por Marcelo Daniel


Não sei falar bem o português. Mas na minha língua sou doutor.”, escreveu, em 1997, o professor Joaquim Maná Kaxinawá, primeiro índio brasileiro a tornar-se doutor em linguística pela Universidade de Brasília (UnB). Ele foi também o pioneiro em escrever uma tese sobre sua língua nativa, o Kaxinawá.


O trecho, extraído do ensaio Estudos sobre educação bilíngue e escolarização em contextos de minorias linguísticas no Brasil, da pesquisadora Marilda Cavalcanti, tem como objetivo mostrar um dos cenários em que se encontra o país do ponto de vista sociolinguístico.


Apesar de o ensino bilíngue ser relacionado, frequentemente, às chamadas “línguas de prestígio”, como é o caso das escolas e dos sistemas de ensino em português e em inglês, narrativas parecidas com a que dá início à reportagem mostram um contexto local de diversidade linguística.


“Ao longo da nossa história, construímos o mito de que o Brasil é monolíngue, o que não é verdadeiro”, pontua a professora do curso de pós-graduação em Educação Bilíngue do Instituto Singularidades, Camila Dias.


Além de toda a pluralidade vinculada às comunidades indígenas, a docente também cita as comunidades de fronteira, regiões em que mais de uma língua integra o cotidiano de seus moradores. “Temos, ainda, a língua brasileira de sinais (Libras) e os grupos de imigração com a presença de idiomas diversos”, complementa.


A contextualização mostra, segundo Camila, as várias possibilidades para o ensino bilíngue – mas que, nos modelos mais comuns disponíveis no mercado estão propostas que levam em consideração as concepções de linguagem e educação no sentido mais amplo que cada escola oferece.


CRESCIMENTO NOTÓRIO


“Notório e muito diverso”. É dessa forma que a professora do Instituto Singularidades classifica o crescimento das ofertas de educação bilíngue. Em suas abordagens em sala de aula – Camila também integra o quadro docente do Colégio Santa Cruz, em São Paulo, capital –, passou a trabalhar a diferenciação entre os conceitos de educação bilíngue e de sujeito bilíngue.


Enquanto a definição de educação bilíngue existe no contexto em que duas ou mais línguas são o meio de instrução e construção do conhecimento, o papel do sujeito bilíngue muda o foco, sendo ele aquele que acumula recursos de diferentes línguas que compõem o seu repertório.


“Não é somente aquele que atinge os mesmos níveis de proficiência em duas ou mais línguas, mas sim quem consegue movimentar seus recursos linguísticos para ter mobilidade no mundo a depender dos contextos de que participa e pode vir a participar”, explica.


PREPARANDO PARA O FUTURO


O que motiva os pais a buscar, praticamente desde os primeiros contatos do aluno com a escola, os modelos de educação bilíngue? “Atualmente, vemos que uma língua adicional, principalmente o inglês, é vista como um bem de prestígio – muitos fazem a matrícula por acreditar que seus filhos ganharão em fluência no idioma”, diz.


Camila, entretanto, ressalta que não é apenas essa a função de uma instrução dessa natureza. “A educação bilíngue vai além de uma boa formação linguística, pode envolver o desenvolvimento de um olhar intercultural, desde que feito de forma intencional”, pontua.


Essa visão ampliada do potencial das iniciativas bilíngues nas escolas, para a gerente editorial de idiomas da área de Conteúdo e Negócios da FTD Educação, Carol Lopes, é uma mudança de perspectiva fundamental para superar os desafios da concretização dessas abordagens no mercado. Obstáculos que, como ela enumera, passam por vários segmentos, desde a ampliação de carga horária de aulas de idiomas dentro da grade escolar até o apoio ao professor durante a transição (para o modelo de carga horária estendida).


“O inglês deixa de ser o fim e passa a ser o meio. Os alunos passam a utilizá-lo para ampliar seu conhecimento de mundo em diversas áreas de estudo, estudar literatura, aprender a conhecer-se, resolver problemas, colaborar”, relata.


A EVOLUÇÃO EM SALA DE AULA


Com a proposta de facilitar a implementação de um modelo bilíngue na prática, o StandFor Evolution é um programa que tem por objetivo aumentar a exposição do aluno à língua adicional, por meio da ampliação da carga horária.


“A ideia é facilitar o planejamento pedagógico combinando diversos tipos de aulas que oferecem grande variedade temática para professores e alunos”, destaca a gerente editorial, que ainda ressalta que a iniciativa vai permitir que diferentes conteúdos e disciplinas sejam objeto de interações, realizadas em língua inglesa.


No conteúdo estão as aulas regulares de língua, de CLIL, jogos comunicativos, projetos, extensive reading, entre outras modalidades. “Isso torna o aprendizado mais engajado e significativo”, afirma.


O fato de reunir material acessível e planejamento detalhado pode ajudar o professor a se adaptar mais facilmente a essa nova perspectiva educacional. As aulas são bastante variadas, colocando os alunos em diferentes situações de uso da língua.


Com soluções que vão da educação infantil ao ensino médio, atualmente o StandFor Evolution oferece duas
opções para que a escola inicie a carga estendida de idiomas: “o de três aulas por semana é destinado para escolas que ainda não podem fazer grandes alterações na estrutura atual, mas querem oferecer o diferencial com um ensino forte de inglês”, detalha Carol.


A outra opção é o programa de cinco aulas por semana. “Nele, podemos oferecer toda a diversidade de conteúdo programático e materiais que vão formar um cidadão capaz de se comunicar globalmente com desenvoltura e segurança”, conta.


APOIO AO DOCENTE


Durante a transição para um modelo bilíngue, além de um bem estruturado programa de ensino, é fundamental a participação do corpo docente durante toda a jornada.


Na proposta oferecida pelo material do selo StandFor, os professores e a escola contam com suporte de uma equipe especializada no decorrer de todo o processo.


“Nesse apoio estão previstos cursos de implantação da metodologia, assistência para certificação internacional, acompanhamento e observação de aulas”, garante a gerente editorial da FTD Educação.


Para o estudante, o programa oferece livros impressos, portal digital e livro digital interativo. Os materiais fazem parte do pacote para auxiliar o aluno a se tornar protagonista de seu aprendizado e aperfeiçoar habilidades e competências do século 21.