Artigo 

Comunicação, um elo poderoso 

Por * Regina Augusto 

“Qual é o conhecimento que perdemos na informação? Qual é a sabedoria que perdemos no conhecimento?” 
T.S. Eliot

O sociólogo francês Edgar Morin atravessou a mudança de milênio como um dos maiores pensadores a tecer uma nova concepção do conceito de conhecimento. Ao elaborar as bases do pensamento complexo, Morin também nos dá dicas preciosas sobre o desafio de se comunicar atualmente, num ambiente em profunda transformação: por um lado, premido pelo avanço tecnológico; por outro, a tolerância e a polarização – que pareciam ter ficado no século passado – voltam com força, a ponto de ameaçar a globalização.

O conceito de complexidade prevê a multiplicidade e a diversidade dada à fragmentação imposta pela sociedade em rede e a profusão de dados e informações. Não há espaço em que essa fragmentação faça mais parte de sua própria essência do que o da escola. Seja em razão da estruturação tradicional da divisão de tempo, em função das disciplinas, ou da composição multifacetada dos alunos, esse ambiente coloca um desafio de comunicação ímpar aos educadores.

As regras básicas de comunicação no ambiente profissional, que estão mais desafiantes com as mudanças em curso no mundo corporativo, ganham novos contornos quando aplicadas na esfera da educação. O papel do professor continua sendo extremamente relevante. No entanto, ele tem de levar em conta nuances que fazem com que a profusão e o acesso à informação por parte do aluno sejam muito mais democráticos e estejam em todas as dimensões, não apenas na sala de aula.

 “Olhar o outro e levar em conta seu ponto de observação é uma premissa básica, em primeiro lugar da comunicação eficaz e, em segundo, da transmissão do conhecimento.”

O grande ponto é fazer com que esses dados e informações se transformem de fato em conhecimento. Aí, sim, entra a habilidade de se comunicar e criar empatia, características que os profissionais de educação ostentam desde sua própria formação – e que hoje são altamente valorizadas no ambiente dos negócios. Olhar o outro e levar em conta seu ponto de observação é uma premissa básica, em primeiro lugar da comunicação eficaz e, em segundo, da transmissão do conhecimento. Ouvir os alunos, naturalmente sintonizados com o presente, é a melhor maneira de o professor investir na própria formação e no seu autodesenvolvimento.

Se o início do século passado foi marcado por grandes descobertas científicas, como a Teoria da Relatividade, a Física Quântica e, posteriormente, a Teoria do Caos, esse começo de século 21 tem como protagonista a sociedade em rede e com ela seus principais atributos, que vêm a ser: os princípios sistêmico (o todo é mais do que a soma das partes), do ciclo retroativo (a causa age sobre o efeito e vice-versa) e dialógico (a capacidade de ouvir e conversar com o contraditório).

Esse último aspecto talvez seja o mais desafiante num mundo no qual todos têm voz e opinião, fazendo recrudescer a intolerância. Habilidades como a transdisciplinaridade ganham espaço e deixam de lado a imposição do conhecimento de forma unilateral e de cima para baixo. Nesse contexto, os fundamentos da comunicação baseados na consciência do ser humano como indivíduo e parte da sociedade nunca foram tão importantes. “

* Regina Augusto – jornalista, sócia-fundadora da GUME – Consultoria de Reputação e Engajamento, especialista em comunicação, marketing e mídia.